A prevenção da transmissão do HIV, o vírus que causa a aids.

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Um dos maiores avanços na luta contra a pandemia da infecção pelo HIV foram as assim chamadas “estratégias biomédicas par a prevenção da transmissão do HIV”. A melhor forma de se lidar com qualquer doença é a prevenção; sabemos disso. No caso do HIV, a melhor estratégia preventiva seria uma vacina. Não temos nenhuma. Talvez nunca tenhamos.

Aí apareceram as estratégias biomédicas. São poucas, mas eficazes. Tratamento como prevenção. Uma pessoa com HIV e com o tratamento que funcione plenamente, não transmitira o vírus. Circuncisão: ótima estratégia. Microbicidas: não tão bom. Profilaxia pós exposição: parece ótimo. Pessoas se expões e tomam os medicamentos após a exposição. Em modelo animal com a duração de profilaxia correta, 4 semanas, funciona! Profilaxia pré-exposição, ou PrEP, um verdadeiro ponto final na transmissão! (será?). PrEp é o uso de parte dos medicamentos do coquetel por pessoas com chance grande de exposição ao HIV. Usa-se de forma contínua uma associação de 2 medicamentos. É de fato profilaxia pré e pós exposição, posto que as pessoas tomam os medicamentos continuamente. Funcionou com animais. Funcionou com os estudos em seres humanos. Desde que as pessoas tomassem de forma adequada o medicamento. Desde que não houvesse a rara situação onde um vírus resistente aos medicamentos pudesse infectar a pessoa. Bom … Mais ou menos …

Neste último CROI, o melhor congresso mundial sobre HIV, que aconteceu em Seattle em fevereiro, cientistas holandeses relataram um caso de um homem que faz sexo com homens de 50 anos, e que usava regularmente os medicamentos recomendados para PrEP, se infectou (Hoormenborg e colaboradores). Será que ele usava a medicação de forma inconsistente? Aparentemente não. Ele dizia que tinha uma adesão excelente, e mais que isso, os níveis de medicamentos em sua corrente sanguínea estavam adequados. Isto confirma que ele usava a medicação de forma consistente (?). Além disso, o vírus com que ele se infectou não era resistente, ou seja, os medicamentos deveriam tê-lo protegido.

Como qualquer coisa no mundo, não “sempre” e não existe “nunca”. Ou seja: é bom, mas não é perfeito. Vamos ter PrEP no Brasil logo, uma grande necessidade. As pessoas devem ser testadas continuamente, usar os medicamentos adequadamente, e saber que um risco “residual” ainda existe.